Brasil dá show nas Maratonas Aquáticas

Nos últimos dias o Brasil comprovou que está mesmo entre as potências das Maratonas Aquáticas. Primeiro foi a indicação de Poliana Okimoto para o Hall da Fama da modalidade, se tornando a primeira brasileira a alcançar tal feito. Depois o show dado na etapa da China da Copa do Mundo, quando quatro brasileiros subiram ao pódio. Poliana, de 34 anos, conquistou a primeira medalha do país na história dos Jogos Olímpicos, com o bronze no Rio 2016 e passa a integrar o quadro, que já tem Igor de Souza, que em 2004 completou a travessia do Canal da Mancha, ida e volta, Abilio Couto, homenageado após sua morte, por ter sido o primeiro brasileiro a fazer a mesma travessia, em 1958, e o árbitro Ricardo Ratto, como colaborador. A festa foi completada com a etapa da China, onde Ana Marcela Cunha foi ouro no feminino e Viviane Jungblut foi bronze, ficando a prata com a italiana Adriana Bridi. No masculino, Allan do Carmo ficou com a prata, num desempate sensacional com o húngaro Kristof Rasouszut, que levou o ouro. O bronze ficou com o também brasileiro Fernando Ponte. Apesar da crise financeira e moral do esporte brasileiro, essa é uma modalidade em que podemos confiar na briga por medalhas em Tóquio, em 2020.

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Dueñas começa bem trabalho à frente da seleção feminina de handebol

O espanhol Jorge Dueñas iniciou bem o seu trabalho com a seleção feminina de handebol, que vai disputar o mundial da modalidade, em dezembro, na Alemanha. Sem Dani Piedade e Dara, que se aposentaram da seleção, e Alexandra, se recuperando de cirurgia, a equipe fez dois grandes jogos contra a França, medalha de prata no Rio 2016, equilibrando as duas partidas. No primeiro perdeu por 23 a 21 e no segundo empatou 22 a 22 quando chegou a estar vencendo por 22 a 18 no final da partida. Ana Paula foi o destaque brasileiro e a francesa Houette a principal marcadora. As França não contou com algumas titulares na campanha dos Jogos de 2016, principalmente Pineau e Lacrabere, mas tiveram boa parte do elenco medalhista. No lado brasileiro, o recém-chegado Dueñas conseguiu rodar bem a equipe e colocou em quadra todas as jogadoras convocadas. No mundial o Brasil está no grupo de Dinamarca, Rússia, Montenegro, Tunísia e Japão e como os quatro primeiros se classificam a tarefa não deve ser difícil, embora as posições superiores tendem a enfrentar adversários mais fracos na fase seguinte, mas mesmo assim é uma competição difícil e com muitos favoritos ao título e ao pódio. O Brasil não entra como favorito, mas repito, pela tradição dos últimos anos e a manutenção de um comando experiente e vencedor, como foi com Morten Soubak, dá para pensar em medalha sim.brasil x frança

Ana Sátila medalha no mundial de canoagem e mostra crescimento

Faz pouco tempo eu falei do crescimento de Ana Sátila, na canoagem slalom, e a prova definitiva disso foi a medalha de bronze no C1, no mundial de Pau, na França. Depois da explosão de Isaquias Queiroz na canoagem velocidade, agora foi a vez de Ana Sátila conquistar uma medalha inédita, no slalom. Ela terminou a final em 114s29, atrás da britânica Mallory Franklig, que ficou com ouro, e da checa Teresa Fizerova. A confirmação da medalha só aconteceu após o percurso da atual campeã mundial, a americana Jessica Fox, que não fez uma boa descida e terminou apenas em sexto. Ana está em franco crescimento, e tem apenas 21 anos. Ela foi campeã mundial júnior, em 2014, e vice no mundial sub-23 em 2015. Foi para a sua primeira olimpíada com apenas 16 anos, Londres 2012, e no Rio 2016 não fez uma grande prova, talvez pela pressão psicológica. Mas isso já é passado, agora ela é uma realidade, e se continuar assim pode pensar em medalha em 2020, onde vai tentar se classificar tanto na canoa (C1) como no caiaque (K1). No mundial de remo, em Sarasota, nos Estados Unidos, os brasileiros William Giaretton e Xavier Maggi ganharam medalha de bronze no Dois Sem Peso Leve, mas essa prova não é olímpica, por isso, apesar da importância de uma medalha num mundial, não deve servir de referência para os Jogos de Toquio.ana satila

Saída de Emily Lima mostra fragilidade de direção no futebol feminino

Nada contra o técnico Vadão, que já esteve no comando da seleção brasileira feminina entre 2014 e 2016, mas a demissão da treinadora Emily Lima prova a falta de direção da modalidade. Emily fez ótimos trabalhos em clubes e assumiu a seleção após os Jogos de 2016 e não chegou praticamente a ter um ano de trabalho. Mesmo com os recentes resultados ruins em amistosos, duas derrotas para a Austrália, de quem já havia perdido por 6 a 1 no Torneio das Nações, o grupo de jogadoras estava fechado com Emily e a própria Marta, principal jogadora da equipe, disse que ela precisava de mais tempo para trabalhar. Aliás tempo é o que precisa o futebol feminino, não adianta sair Vadão, entrar Emily, sair Emily, voltar Vadão e daqui a pouco outro treinador ou treinadoraemily, se não tivermos mais intercâmbio e apoio. Isso pode mudar nos próximos anos, quando a CBF vai obrigar os times da primeira divisão a terem equipes femininas, mas até lá o quadro vai continuar o mesmo. Com todo respeito que tenho pelo supervisor Marco Aurélio Cunha, dessa vez ele se apoiou nos resultados e não no trabalho que ela ainda poderia desenvolver.

Primeira convocação de Dueñas não tem novidades

O novo treinador da seleção brasileira feminina de handebol, o espanhol Jorge Dueñas, fez sua primeira convocação, visando o mundial da Alemanha, em dezembro. Depois da saída de algumas atletas veteranas, como Dani Piedade e Dara, a seleção já teve algumas caras novas no Torneio Quatro Nações e no Pan-Americano da Argentina, sob o comando do interino Sergio Graciano. Agora é pra valer, com a chegada de um treinador que esteve à frente da seleção de seu país por quase dez anos, conquistando o bronze olímpico em Londres, em 2012, e o bronze no mundial de 2011, aqui no Brasil. Ele é o nome perfeito para substituir o dinamarquês Morten Soubak, que conquistou a maior glória do handebol nacional, o mundial de 2013. A base permanece muito boa, com as goleiras Baby e Mayssa, as armadoras Duda Amorim, Deonise e Patricia, a ótima central Ana Paula, pontas como Samira e Mariana e a pivô Ligia. Além disso ele ainda espera contar em breve com Alê Nascimento, que se recupera de cirurgia.

duenas

Dueñas convocou também algumas novatas, que serão testadas nos dois jogos amistosos contra a seleção francesa, dias 29 de setembro e primeiro de outubro. Será pouco tempo para o mundial, e a seleção não entra como favorita, mas pelos talentos que tem, e pela história recente, dá pra sonhar com medalha sim.

Skate conquista outra medalha num mundial

Desde que o COI anunciou os novos esportes para os Jogos de 2020 que eu venho dizendo que pelo menos três deles foram ótimos para o país, o caratê, onde o Brasil é um dos principais países no ranking mundial, o surfe, nem precisa explicar o motivo, é só ver os recentes títulos mundiais de Medina e Mineirinho, e o skate. Esse último comprovou nas últimas semanas que o sonho de medalhas em Tóquio é bem real. Foram três medalhas na última etapa do circuito mundial, que corresponde ao próprio mundial da modalidade, sendo duas no street e uma no park, as duas modalidades que serão disputadas em 2020. Na semana passada, na Califórnia, no street, Letícia Bufoni ficou com medalha de prata no feminino e Kelvin Hoeffler de bronze no masculino. Nesse sábado, em Pequim, Pedro Barros ficou com a prata no park. O único problema é a briga entre confederações, pois os atletas ameaçam boicotar os Jogos se o COB não entregar a modalidade para a Confederação Brasileira de Skate, já que hoje ele está sendo gerida pela Confederação de Hóquei e Patinação. É a mesma história, atletas talentosos e dirigentes amadores, que mais atrapalham que ajudam.pedro barros

O legado de Temer para o esporte

Já não bastam as denúncias de corrupção e as diversas malas de dinheiro que vivem a passar de mão em mão de políticos, o governo brasileiro agora deve deixar uma herança maldita para o esporte do país. No orçamento para 2018 a proposta enviada pelo presidente Temer para Câmara dos Deputados reduz 87% da verba destinada ao esporte em 2017. Juntando com um corte de quase 15% na Lei Piva, a quase extinção do programa Bolsa Atleta e a diminuição sensível de patrocínios das estatais, nosso esporte deve sofrer um grande baque na preparação dos atletas visando os Jogos de Tóquio, em 2020. Com isso já se sabe que a preparação de seleções para eventos internacionais sofrerá um grande corte, assim como o programa de controle antidopagem. É triste ver uma notícia como essa pouco mais de um ano do encerramento da olimpíada no Brasil, que só serviu mesmo para rechear o bolso de alguns políticos e criar uma estrutura que dificilmente é usada em benefício do esporte. Veja o caso do Parque Olímpico, que está sendo bem aproveitado pelo Rock In Rio, um evento de alto custo, que não beneficia em nada o esporte, mesmo utilizando instalações que foram cosntruídas para isso. E o que não dizer da preocupação em ver o presidente do COB desde 1995, Carlos Arthur Nuzman, envolvido em suspeita de compra de votos e corrupção na entidade. É amigos, foi bom enquanto durou. A escolha da sede e depois o ciclo olímpico foram excelentes para alguns atletas e modalidades, mas agora a fonte secou. Quem conseguiu ir para o exterior e patrocínios particulares, ainda vive uma boa expectativa, quanto aos demais, é voltar ao jeitinho brasileiro e se conformar que mesmo com nosso potencial esportivo e tamanho do país nunca estaremos entre os melhores. E o pior, na maioria das vezes não é por falta de competência, mas sim falta de vergonha e de caráter de alguns.temer